Desportiva declara guerra à FPF e denuncia "retaliação" de Rosilene

O presidente da Desportiva Guarabira, Domingos Sávio, resolveu declarar guerra contra a Federação Paraibana de Futebol. Visivelmente contrariado, ele foi à sede do Portal Paraíba1 na tarde desta sexta-feira (26) para denunciar ao blogueiro Phelipe Caldas o que chamou de “preconceito e tratamento diferenciado da FPF com os clubes pequenos”. Segundo Domingos, os times pequenos sofrem nas mãos da presidente Rosilene Gomes, classificada por ele como sendo “centralizadora” e dona de um “lado explosivo” que constrange os dirigentes esportivos.

Toda este desabafo de Domingos Sávio aconteceu logo após ele tentar sem sucesso inscrever três novos jogadores da Desportiva no Campeonato Paraibano de Futebol. Ele foi a sede da FPF com os contratos dos laterais Pintado (esquerdo) e Josivan Costa (esquerdo) e do atacante Ricardo Pereira, mas foi impedido de registrá-los pela Diretoria Financeira da entidade.

“A Desportiva tem um pequeno débito com a FPF, em torno de R$ 6,2 mil, e ela disse que nós só podemos inscrever estes jogadores depois de quitar o valor. O problema é que os clubes grandes têm dívidas até maiores com a Federação, mas eles não sofrem este mesmo tipo de sanção”, denunciou o cartola. “Nós ainda temos dinheiro do Gol de Placa para receber e iríamos pagar este débito sem maiores problemas, mas ela foi intransigente e barrou a inscrição dos atletas”, completou, dizendo que Rosilene será a principal culpada de uma eventual derrota da Desportiva na rodada do final de semana.

Domingos se diz certo de que tudo isto não passa de uma retaliação da FPF contra um episódio que aconteceu na 2ª divisão do Campeonato Paraibano de 2009 (ele se negou a entrar em detalhes sobre o caso) e ressalta que esta não será a primeira vez que o clube sofre retaliações da entidade máxima do futebol paraibano. “A gente que é pequeno sofre. Quem manda é ela. E quem não anda na linha imposta por ela sofre todo tipo de ameaça e retaliação. Hoje eu tentei conversar com ela e fui constrangido, mas Rosilene Gomes tem que entender que eu sou um filiado da FPF e mereço o mesmo respeito dado aos clubes grandes”, destacou o presidente guarabirense.

Ele promete agora acionar o setor jurídico do clube e analisar assim de que forma pode lutar contra o “autoritarismo da presidente”, mesmo admitindo que está ciente das retaliações que deve sofrer em troca. Em determinado momento da entrevista, o telefone celular de Domingos tocou e ao atender ele soltou um desabafo que mostra bem o seu sentimento com relação a Rosilene. “Estou dando uma entrevista sobre a FPF. Eu tenho certeza que ela vai lascar (sic) a gente, mas pelo menos agora as pessoas vão saber o que acontece”.

Por fim, Domingos Sávio diz que não tem mais o que conversar com Rosilene Gomes e que agora vai tentar juntar o dinheiro para pagar o débito. “Temos que nos apressar, porque o prazo de inscrições acaba na semana que vem e nós precisamos reforçar o elenco”, explicou.


Rosilene responde

Procurada pelo blog, a presidente da Federação Paraibana de Futebol, Rosilene Gomes, negou veementemente a tese de que haja tratamento diferenciado por parte da FPF entre os clubes grandes e os pequenos. Rosilene disse que para ela todos os clubes paraibanos são “grandes” e que a punição contra a Desportiiva foi na verdade uma determinação da Diretoria Financeira da entidade. “Não tive participação nenhuma no episódio”, garantiu.

Segundo ela, a Desportiva passou dois cheques sem fundo em abril do ano passado e nunca mais os pagou. Teria feito pior: pediu os cheques com a promessa de quitá-los no mesmo dia e nunca mais retornou com o dinheiro. “A Desportiva age de má fé, dá um calote e depois vem reclamar. É muito bom fazer futebol nas costas da FPF. Mas ele que saiba que nós não vamos sustentar time que não honra com seus compromissos”, disparou.

Rosilene prossegue em seu contra-ataque: “Não sou fantoche na FPF. Aqui não existem cartas marcadas, nem retaliações. Trabalhamos com pessoas que têm caráter, mas talvez ele não saiba o que é isto”. Para ela, passar cheque sem fundo é algo normal em tempos de crise, “mas o inadmissível é o presidente da Desportiva não dar nem mesmo uma satisfação quando percebe o problema”.

Além disto, ela diz que a FPF agiu dentro das normas vigentes. “A Federação não é obrigada a fazer registro de atletas de clubes que têm débitos com a entidade. Se ele quer registrar alguém que pague o que deve. Porque eu fui até condescendente, já que o regulamento manda que nestes casos os dirigentes respondam junto ao Tribunal de Justiça Desportiva”, concluiu.

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